Pensei em escrever, só para me distrair. Às vezes fico assim, quero que passe o tempo. Parece que escrevendo posso adivinhar o futuro, ou pelo menos tentar. Parece que as palavras soltas vão formar uma resposta para minhas tantas perguntas. Não sei pra que querer que o tempo passe!? Na verdade quero saber se vou ser feliz ou, o que vai estar acontecendo comigo daqui a 10 anos. Mas, ao mesmo tempo sinto que o tempo vai passar, assim como, já passou.
Foi-se 23 anos. E o que eu fiz? Muitas coisas para os outros. Com certeza. E pra mim? Nada! Deixei passar paixões achando que ainda não era hora e que com o tempo, no seu devido tempo, elas voltariam. Não voltaram. Não voltam. Pelo menos não as mesmas paixões e nem com a mesma intensidade da adolescência. Achei que pudesse esperar. Afinal, eu precisava deixar algumas coisas em ordem. Tentei resolver os problemas de todos. Ainda tento! Deveria aceitar que as próprias pessoas teriam que resolvê-los. Paciência! Muitas delas não querem nem pensar nos problemas e fingem que não os tem. Por que será que eu não aceito isso? Deixei minhas paixões e em troca o que ganhei? Mais dúvidas, incertezas e desilusões com as pessoas.
Meus amores poderiam ter me esperado ou, então, não eram amores. Na verdade eu não esperaria por eles, caso acontecesse o contrário. Não posso cobrar. Tem que vir do coração. Da vontade. Do sentimento.
Pedi um tempo pra vários garotos (não tantos assim!). Mas o tempo que eu precisava nunca acabava, não acabou. Faziam com que se cansasse e conseguia. Ainda consigo! Tenho coragem de fazê-los me odiarem, mas não coragem de deixá-los me amarem. Não posso nem pensar em admitir que um dia amei alguém. Será que amei?
Sinto falta de um ou dois deles. Mas eles já sabiam muito de mim. Como posso deixar alguém saber mais de mim do que eu mesmo? Não posso. Eles me olhavam no fundo dos olhos ... eu tinha medo. Eu tenho medo! Medo de que? Talvez de sofrer no futuro, por isso sofro agora. Largo antes de ser largada. Queria que alguém percebesse isso e não me deixasse. Não desistisse! Não me deixasse fugir, mais uma vez. Me segurasse forte pelo braço e dissesse que “dessa vez NÃO! Comigo não!”
Digo e faço tudo ao contrário do que gostaria, mas só percebo isso depois. Às vezes, muito tempo depois. Eu humilho e nego qualquer tipo de afeto, a não ser a amizade. “Acho que podemos ser bons amigos, gosto muito de ti.” Idiota! Oferecer amizade a quem está disposto a te amar é uma ofensa.
Há algum tempo não sinto meu coração bater mais forte e rápido por alguém. Não sinto nada! Até um ponto isso é bom. Me defendo. Mas até quando? Talvez tenha chegado a hora do troco. Vou ter que esperar um grande amor. Quando meu coração, enfim, ceder ... eu vou levar o troco.
Aí está o medo. Não entrego o coração e não curto o amor no momento em que está acontecendo. Quanta coisa perdi, quantos tragos, quantas festas, quantas noites de amor ... quantas.
É melhor não pensar. É melhor agir e, assim que acontecer me jogar de vez. Sem pensar em nada mais, muito menos em conseqüências. Simplesmente deixar acontecer ... acontecer tudo ... tudo!